As concessionárias chinesas estão vazias, mas as ruas portuguesas estão cada vez mais cheias de carros chineses. Na China, as vendas caíram 21,7% até setembro. Em contrapartida, as exportações dispararam 75%, e as marcas chinesas já vendem mais do que as japonesas na Europa. Em Portugal, já há mais de 30 mil carros chineses nas estradas.

O que está a acontecer na China
- Vendas em queda: de janeiro a setembro, o mercado interno chinês vendeu 13,33 milhões de carros, menos 21,7%.
- Nem os elétricos escapam: os carros elétricos e híbridos plug-in venderam 7,76 milhões, menos 12,8%.
- Setembro: queda de 28% face ao mesmo mês de 2025.
- Previsão: 18,5 milhões de carros em 2026 (-22%), abaixo de 2020.
- Causas: economia fraca, crise imobiliária, corte de incentivos ao abate e aos elétricos, e uma guerra de preços que come as margens das marcas.
A saída é exportar
Com o mercado interno a encolher, as marcas chinesas apostam tudo lá fora. As exportações subiram 75,4%, para 7 milhões de carros em nove meses, e as de elétricos e plug-in dispararam 138,8%.
Fontes: CPCA, via Gasgoo e Caixin.
Na Europa, a China já passou o Japão
Segundo a Dataforce, as marcas chinesas ficaram com 12,7% do mercado europeu num trimestre completo, acima dos 11,9% das japonesas, algo inédito. Há cinco anos, tinham cerca de 1%. Em setembro, as matrículas chinesas duplicaram. A maior parte são híbridos, que escapam às taxas da UE sobre os elétricos fabricados na China.
E em Portugal
- 2025: 11.901 carros chineses vendidos, mais 113% do que em 2024. BYD (6.059) e MG (4.074) fizeram 85% das vendas.
- Até abril de 2026: mais 7.327 matrículas, lideradas pela MG (2.966) e pela BYD (2.298), seguidas da Xpeng, da Omoda e da Leapmotor.
- Frota: já há mais de 30 mil carros chineses nas estradas portuguesas.
- Outubro: Jaecoo, Omoda, Dongfeng, Xpeng e Leapmotor tiveram subidas enormes, embora a partir de volumes pequenos. Veja o mercado de outubro.
- Novas marcas em 2026: Ebro (parceira da Chery) e Zeekr.
Fontes: ACAP, via Razão Automóvel; Jornal de Negócios; Dataforce.
Dica do Freire
A crise na China é boa notícia para quem compra cá: com fábricas a produzir mais do que o mercado interno absorve, as marcas chinesas vão disputar a Europa com preço e equipamento. Antes de comprar, confirme a rede de oficinas e de peças da marca perto de si. É aí que muitas marcas novas ainda estão a crescer.
Já tem ou compraria um carro chinês? Diga nos comentários!
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Atitude fala mais alto. — Freire Neto | Motores e Ação desde 2002






