Catorze eurodeputados, liderados pelo francês François Kalfon, pediram à Comissão Europeia que avalie se os automóveis da BYD representam um risco de segurança e se devem ficar de fora dos concursos públicos. As perguntas escritas pedem que a agência europeia de cibersegurança analise o nível de ameaça e admitem incluir a marca numa lista de fornecedores de alto risco, invocando a lei chinesa de informações de 2017. A BYD responde que nenhum dado guardado na nuvem ou no carro pode ser acedido remotamente a partir da China. Bruxelas tem, por norma, seis semanas para responder.

O que pedem os eurodeputados
Nas perguntas enviadas à Comissão, os deputados querem saber se Bruxelas vai avaliar o risco dos carros da BYD e se admite restrições, como a exclusão de concursos públicos. Perguntam também se a Comissão pretende limitar o acesso de veículos chineses a infraestruturas estratégicas. O argumento central é a lei chinesa de informações de 2017, que, segundo Kalfon, obriga as empresas a cooperar com o Estado.
Kalfon citou medidas tomadas na Polónia, no Reino Unido e em Israel e escreveu também ao primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, a pedir ação contra o risco de espionagem em carros ligados à China. No mês passado, as forças armadas dos Estados Unidos proibiram os carros da BYD na base aérea de Kadena, no Japão.
A resposta da BYD
A BYD Europe não disponibiliza esses dados a entidades da BYD nem a terceiros na China.
BYD, em resposta à Reuters
A marca garante que nenhum dado processado ou guardado, na nuvem ou no veículo, pode ser acedido remotamente a partir da China. Mesmo que as regras de concursos públicos venham a favorecer conteúdo europeu, como a Comissão propôs em setembro, a BYD poderia continuar a concorrer, porque já produz na Hungria e prepara mais fábricas na Europa.
E em Portugal?
Por enquanto não há qualquer restrição à venda ou à utilização dos carros da BYD em Portugal. As perguntas dos eurodeputados não têm força de lei: obrigam apenas a Comissão a responder. A BYD é uma das marcas chinesas que mais crescem no mercado português.
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