O Citroën Aircross XTR 7L Turbo 200 é o SUV compacto de até sete lugares mais acessível do Brasil — e custa R$ 129.990. Mas preço de entrada não diz tudo. Ricardo Nunes Birão trouxe o modelo para a garagem do Motores e Ação e passou o carro pelo que importa: rodagem real, impressões honestas e o veredito para quem tem família grande e orçamento controlado.
Motor e conjunto mecânico
O Aircross XTR 7 é movido pelo motor 1.0 Turbo Flex 200, que entrega 130 cv a 5.750 rpm e torque de 20,4 kgfm a 1.750 rpm com etanol. Com gasolina, a potência recua para 125 cv, mantendo o mesmo torque. O câmbio é um CVT com simulação de sete marchas.
É o mesmo powertrain T200 da família Stellantis — e esse foi o ponto que mais impressionou o Birão ao volante. Quem conhece o conjunto sabe porquê: entrega consistência que vai além do que os números sugerem.

Sete lugares de verdade
A terceira fileira é o argumento central do XTR — e o Birão foi direto ao ponto. Com os bancos da terceira fileira removidos, o porta-malas chega a 493 litros. Com todos os sete lugares em uso, o espaço muda — e isso ficou claro no test drive.
Diferente de SUVs maiores onde a terceira fileira é fixa, no Aircross é possível retirar os dois bancos traseiros — que pesam cerca de 8 kg cada — e transformar o veículo em um carro de carga com quase 500 litros disponíveis.

Pacote XTR: o que muda na prática
O modelo adota pneus Pirelli Scorpion HT de uso misto, rodas de 17 polegadas, controle eletrônico de estabilidade e ar-condicionado digital com difusores adicionais para a terceira fileira — item raro na categoria.
O interior tem bancos, painel, apoio de braço e volante com revestimento premium e detalhes de costura na cor Light Green. A central multimídia Citroën Connect de 10,25″ ganhou bordas ultrafinas em preto brilhante, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
Economia: etanol x gasolina
O consumo declarado pelo Inmetro é de 7,6 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, os números sobem para 10,9 km/l urbano e 12,4 km/l rodoviário. Birão rodou nas duas condições — cidade e estrada — e os números se sustentam no uso real.

Dica do Freire — Especialista
O detalhe que os comparativos de preço não contam: enquanto os rivais diretos no segmento de sete lugares já ultrapassaram a barreira dos R$ 160 mil, o Aircross XTR mantém seu posicionamento estratégico. Isso representa uma diferença de pelo menos R$ 30 mil em relação à concorrência direta — valor que, na prática, financia dois anos de combustível para uma família que usa o carro no dia a dia. O custo por assento do Aircross XTR continua sendo o menor do Brasil no segmento.
E tem mais, a Stellantis prepara a chegada de um Fiat com essa proposta. Será o novo Fiat Pulse 5 e 7 lugares com pegada de Aircross? Ela deve fazer o mesmo que faz com a Opel e o Frontera em Portugal. Se fizer, será um golaço da marca italiana. Um carro espaçoso, imponente e com porte maior do que o Novo Argo (ou Grande Panda europeu). Mais uma jogada interessante para o mercado brasileiro. E isso pode aquecer, inclusive, as vendas da própria Citroen. Será? Comente.
Atitude fala mais alto. — Freire Neto | Motores e Ação desde 2002
























