O fim dos motores a combustão em 2035 está mais longe de ser definitivo. A Comissão do Ambiente do Parlamento Europeu aprovou na quarta-feira um compromisso que reduz a meta de corte de CO2 dos carros novos de 100% para 87,5%, abaixo até dos 90% propostos pela Comissão Europeia, e que abre espaço aos híbridos plug-in e aos elétricos com extensor de autonomia depois dessa data. Para as carrinhas, a meta cai de 90% para 80%. O texto ainda tem de passar no plenário e de ser negociado com os Estados-membros, mas já indica que direção os fabricantes, e os compradores portugueses, devem esperar.

O que muda em relação à regra atual
A lei em vigor obriga a que todos os carros novos vendidos na União Europeia a partir de 2035 tenham zero emissões de CO2 no escape, o que na prática deixava apenas elétricos e veículos a hidrogénio. Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia propôs baixar essa meta para um corte de 90%, compensando o resto com créditos. Os eurodeputados foram mais longe: 87,5% para os carros e 80% para as carrinhas, com um crédito adicional de 7,5% para os fabricantes que usem aço produzido com menos emissões.
Na prática, a margem permite que híbridos plug-in, elétricos com extensor de autonomia e alguns modelos a gasolina e gasóleo continuem à venda depois de 2035. Um compromisso semelhante já tinha sido aprovado a 22 de outubro pelas comissões dos Transportes e da Indústria.
Queremos a neutralidade climática, mas com as regras que agora acordámos também garantimos a neutralidade tecnológica. Os híbridos plug-in com grande autonomia elétrica também terão um papel em 2035 e depois disso.
Peter Liese, porta-voz do PPE para o clima
Os Verdes criticaram a decisão. O eurodeputado alemão Michael Bloss defendeu que a Europa tem fábricas e trabalhadores qualificados para construir os melhores carros da era elétrica.
E agora?
O texto ainda precisa da aprovação do plenário do Parlamento Europeu e, depois, de ser negociado com o Conselho, onde estão os governos dos 27. Só no fim desse processo a nova meta passa a lei. Para quem está a pensar comprar carro em Portugal nos próximos anos, o sinal é claro: os elétricos continuam a ser o caminho principal, mas os híbridos plug-in ganham uma vida mais longa do que se previa.
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