Carros híbridos, elétricos, a hidrogênio e com mais biodiesel no tanque estão mudando o que se exige do óleo do motor e dos fluidos automotivos. Esse foi o tema do XIX Simpósio Internacional de Lubrificantes, Aditivos e Fluidos da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, realizado em 27 de outubro, no Millenium Center, em São Paulo.

O que muda para o motorista
- Híbridos: o motor a combustão liga e desliga o tempo todo e trabalha mais frio. Isso exige óleos com mais proteção contra desgaste, corrosão e contaminação por água e combustível.
- Elétricos: os fluidos passam a cuidar da temperatura da bateria, do motor e da eletrônica, com exigências de troca de calor, isolamento elétrico e compatibilidade com materiais.
- Hidrogênio: a alemã APL e a TotalEnergies mostraram um óleo específico que, em certos testes, cortou em até 100 vezes a emissão de partículas de um motor a combustão movido a hidrogênio.
- Biodiesel: o Brasil tem capacidade para cerca de 15,5 milhões de m³ de biodiesel por ano, com pelo menos 30% de ociosidade. Foram apresentados testes com misturas de até 50% de biodiesel no diesel.
Os números do mercado
- O Brasil consome cerca de 1,7 milhão de m³ de lubrificantes por ano e pode chegar a 2,2 milhões em 2035, segundo a FactorK.
- O país depende de importação de óleos básicos, essenciais para os óleos modernos de baixa viscosidade, como os do Grupo III.
- Pesquisa Ipsos: 67% dos brasileiros mudariam hábitos de transporte para reduzir emissões, mas só 36% acham os carros elétricos atraentes, abaixo da média mundial de 47%.
Fluidos no programa MOVER
A AEA e o Sindicom pediram ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) que a pesquisa, os testes e as homologações de fluidos automotivos entrem nos incentivos do programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER). Também em discussão: os fluidos de arrefecimento vendidos na reposição não são obrigados a cumprir as normas técnicas brasileiras, e o Sindicom quer analisar de 50 a 75 amostras do mercado em 2027.
Prêmio SIMEA 2026
No encerramento, a AEA anunciou os vencedores do Prêmio SIMEA 2026. O melhor trabalho foi da Petrobras, sobre as emissões de hidrocarbonetos de um carro flex Proconve L8 com gasolina E22 e etanol hidratado. Outros nove estudos, de empresas como Volkswagen, Vale, Mahle e FEV e de universidades como Unicamp, USP, UFSC e Mauá, receberam menção honrosa.
Atitude fala mais alto. — Freire Neto | Motores e Ação desde 2002
Fonte: AEA (comunicado via Texto Final).











