Daqui a um mês, as regras de emissões na Europa mudam como nunca. A norma Euro 7 começa a aplicar-se a 29 de novembro de 2026 e, pela primeira vez, não olha só para o escape: passa a contar também o pó dos travões, o desgaste dos pneus e a saúde das baterias dos elétricos.

O calendário
- 29 de novembro de 2026: novos modelos (novas homologações) de ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros
- 29 de novembro de 2027: todos os carros e comerciais ligeiros novos vendidos
- 29 de maio de 2028: novos modelos de autocarros e camiões (29 de maio de 2029 para todos)
- Pneus: a partir de 1 de julho de 2028 para os pneus de ligeiros (C1), com os outros tipos a seguir em 2030 e 2032
Os carros que já circulam não são afetados.
O que muda
- Escape: os limites de gases para carros e comerciais ligeiros mantêm-se os do Euro 6, mas entra um limite novo para as partículas mais pequenas, a partir de 10 nanómetros.
- Travões: limite de partículas de 7 mg/km para carros a combustão e híbridos e de 3 mg/km para os 100% elétricos, que travam mais com o motor. A partir de 2035, o limite de 3 mg/km passa a valer para todos.
- Pneus: passam a ter limites de desgaste (abrasão), com entrada faseada a partir de 2028.
- Baterias dos elétricos: têm de manter pelo menos 80% da capacidade após 5 anos ou 100.000 km e 72% após 8 anos ou 160.000 km.
- Monitorização a bordo: os carros passam a vigiar as próprias emissões e consumos e a avisar o condutor quando algo falha.
- Passaporte Ambiental do Veículo: cada carro terá um registo com dados ambientais, incluindo o estado de saúde da bateria nos elétricos.
O que significa para quem compra
Para quem compra agora, nada muda de imediato: a norma aplica-se primeiro a modelos novos. Mas a partir de novembro de 2027 todos os carros novos à venda terão de a cumprir, e a indústria tem alertado que os sistemas extra (filtros, travões, sensores) pesam no custo, sobretudo nos carros mais baratos a combustão.
Dica do Freire
A grande novidade para quem pensa num elétrico é a exigência mínima de durabilidade da bateria, escrita na lei: 80% da capacidade aos 5 anos ou 100 mil km. Isso dá mais segurança na compra e também valoriza o mercado de usados, porque o estado da bateria passa a estar registado. Para quem anda a combustão, a Euro 7 ajuda a explicar a corrida das marcas a motores novos, como o novo 1.5 de quatro cilindros que a Toyota prepara.
Atitude fala mais alto. — Freire Neto | Motores e Ação desde 2002









