Os números oficiais da Fenabrave chegaram — e quem ainda achava que a eletrificação era “coisa do futuro” vai ter que revisar o calendário. O primeiro semestre de 2026 encerrou com um mercado transformado, em ritmo que nenhum analista ousou projetar há dois anos.
O mercado geral de automóveis cresceu 20,11% no semestre. Mas quando o foco vai para as categorias com bateria, a aceleração é de outra categoria.
Elétricos puros: +196% — o triplo de 2025
Estimated reading time: 6 minutos

Foram 90.470 unidades de BEVs emplacadas no acumulado de janeiro a junho — crescimento de 196% sobre o mesmo período de 2025. O BYD Dolphin Mini liderou isolado entre os elétricos e, por cinco meses consecutivos, foi o veículo mais vendido no varejo nacional. A BYD encerrou o semestre como a 4ª marca mais vendida no Brasil, com quase 99 mil emplacamentos e crescimento de 107%.
Híbridos (HEV/PHEV/MHEV): Foram comercializados 154.472 veículos, o que representa um crescimento de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior.
100% Elétricos (BEV): Foram vendidos 90.470 carros, registando um crescimento de 196%.
Híbridos: a maior fatia, o maior volume
Os híbridos continuam sendo a categoria de maior volume absoluto entre os eletrificados — e isso não é acidente. Com a infraestrutura de recarga ainda concentrada nas capitais e nos grandes eixos do Sul e Sudeste, o híbrido entrega a transição sem exigir mudança de hábito. A Stellantis entendeu isso antes de muita gente: a hibridização da linha Fiat — com destaque para a Toro 48V flex produzida em Goiana (PE) — é uma aposta estratégica para não perder tração no mercado de massa enquanto a rede de eletropostos amadurece. Sem falar no Fastback e no Pulse. Mas não podemos esquecer da Toyota, que já apostou nos híbridos há muitos anos.

Geely: o nome que mais surpreendeu o semestre
Em menos de um ano de operação no Brasil, a Geely superou 15 mil carros vendidos e fechou maio com crescimento de 29% sobre abril. O EX2 consolidou-se como vice-líder entre os elétricos puros. Mas o movimento mais estratégico da marca foi o lançamento do EX5 EM-i — primeiro SUV híbrido plug-in da Geely no Brasil, com 112 km de autonomia elétrica (INMETRO) e produção nacional prevista para o Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), ainda em 2026.
Novos eletrificados que chegaram no semestre — e o que custam
O portfólio de eletrificados cresceu de forma concreta nos primeiros seis meses do ano. Abaixo, os preços de tabela verificados com referência de junho/julho de 2026:
| Marca / Modelo | Versão | Preço (R$) |
| BYD Dolphin Mini | GL (4 lugares) | R$ 109.990 |
| GS (5 lugares) | R$ 119.990 | |
| Geely EX2 | PRO | R$ 123.800 |
| MAX | R$ 136.800 | |
| Geely EX5 EM-i | PRO | R$ 189.990 |
| MAX | R$ 209.990 | |
| ULTRA | R$ 234.990 | |
| GWM ORA 5 | Única | R$ 159.900 |
| Fiat Toro 48V MHEV | Volcano Turbo Flex | R$ 197.490 |
| Ultra Turbo Flex | R$ 206.490 |
Três movimentos estratégicos merecem atenção nessa tabela. A BYD reduziu o Dolphin Mini GL de R$ 118.990 para R$ 109.990 em junho — uma barreira de preço colocada deliberadamente contra a chegada do Geely EX2. A GWM lançou o ORA 5 com esgotamento dos primeiros lotes nas 24 horas iniciais (preço promocional de R$ 159.000, passando a R$ 159.900 a partir de 1º de julho) — e chega competindo diretamente com as versões topo do Dolphin. Já a Fiat Toro 48V inaugurou o sistema micro-híbrido (MHEV) da Stellantis no Brasil com motor Flex e um pequeno motor elétrico que entrega torque adicional e melhora a eficiência — sem exigir recarga externa.
O que esperar para o segundo semestre?
A infraestrutura de recarga segue como o principal limitador dos elétricos puros fora dos grandes centros. Os híbridos vão continuar liderando em volume. Mas com produção nacional de PHEVs chegando e mais marcas disputando o segmento de elétricos acessíveis, o segundo semestre vai apressar ainda mais essa transformação.
Dica do Freire — Especialista
O dado que mais chama atenção neste semestre não é o crescimento dos elétricos — é a velocidade da Geely e a reação imediata da BYD. Quando a Geely lançou o EX2 a R$ 123.800, a BYD não esperou: cortou o Dolphin Mini GL em R$ 9.000 no mesmo mês. É uma guerra de posicionamento em tempo real, e quem ganha no curto prazo é o consumidor. No médio prazo, ganha quem tiver a rede de pós-venda mais sólida — e esse é o campo em que a Geely jogou de forma mais inteligente do que qualquer outra marca chinesa que tentou entrar no Brasil antes dela. Com o EX5 EM-i em produção nacional ainda em 2026, o patamar de preço do plug-in vai cair. E aí a discussão “híbrido ou elétrico puro” vai ficar muito mais interessante para o bolso de quem compra.
Detalhe para o crescimento e a ampliação da Leapmotor e a aceleração dos modelos híbridos da Stellantis: Jeep Avenger, Novo Argo, entre outros que vão chegar em breve ao mercado.
Fonte: Relatório oficial de emplacamentos Fenabrave — acumulado janeiro–junho 2026.





