Cinquenta anos atrás, a Fiat não chegava ao Brasil com um carro qualquer — chegava com o primeiro que fabricaria em solo nacional, e ele mudou os rumos da indústria automotiva do país. O Fiat 147, lançado em 1976 em Ouro Preto (MG), é hoje um dos maiores símbolos da história automotiva brasileira, e a marca decidiu marcar a data revisitando por que ele importou tanto.
Engenharia que virou padrão de mercado
Para 1976, o 147 chegava com soluções que ainda não eram norma no Brasil: motor em posição transversal, otimizando espaço interno e eficiência mecânica, pneus radiais e para-brisa de vidro laminado, elevando o patamar de segurança e conforto dos compactos. No mesmo ano, no Salão do Automóvel de São Paulo, a Fiat já mostrava um protótipo do 147 movido a etanol, com quilometragem de teste acumulada — prenúncio do que viria em seguida.

O feito que antecipou o carro flex
Três anos depois, em 1979, o 147 se tornou o primeiro carro movido a etanol produzido em série no mundo. Apelidado de “Cachacinha”, o modelo abriu o caminho tecnológico que décadas depois desembocaria nos motores flex — hoje predominantes na frota brasileira de veículos leves. Não é exagero dizer que boa parte do carro popular brasileiro de hoje descende diretamente dessa decisão.
Meio século de memória afetiva
O 147 deu origem a uma família inteira de versões e derivados ao longo de sua trajetória, e segue vivo na memória de gerações de brasileiros como um dos ícones mais duradouros da Fiat no país.

Dica do Freire
O que poucos param para conectar é a linha reta entre o 147 de 1979 e qualquer Fiat flex vendido hoje na concessionária. A tecnologia flex não nasceu pronta nos anos 2000 — ela é resultado direto de um risco que a Fiat tomou décadas antes, apostando em etanol puro num mercado que ainda não sabia se aquilo ia vingar. Toda vez que um Argo, uma Strada ou um Mobi sai de fábrica com motor flex, existe um pedaço do “Cachacinha” ali dentro.





