Poucos nomes mexem tanto com quem gosta de carros como Punto. E foi o próprio Arnaud Belloni, CEO da Fiat, da Abarth e da Lancia, quem reabriu o assunto. Em entrevista à revista francesa L’Automobile Magazine, durante o Salão de Paris, o executivo disse que uma marca como a Fiat deve ter um Punto na gama e que é preciso voltar a ser competitivo no segmento B, o dos compactos como o Renault Clio.

O que é fato e o que é desejo
- Fato: Belloni defendeu o regresso do Punto e afastou a ideia de um carro “neo-retrô”. Um novo Punto teria desenho próprio, não uma cópia dos antigos.
- Não há anúncio oficial: a Fiat não confirmou projeto, plataforma, fábrica, motores nem datas.
- Cuidado com as imagens: as “fotos” do novo Punto que circulam nas redes e em sites são criações independentes, algumas feitas com inteligência artificial. Não mostram um carro aprovado pela marca.
Um nome com história
O primeiro Punto chegou em 1993 e foi eleito Carro do Ano na Europa em 1995. Vieram depois a segunda geração (1999) e o Grande Punto (2005), que deu origem ao Punto Evo e ao Punto de 2012. Segundo a Stellantis Heritage, foram produzidas mais de 9 milhões de unidades até agosto de 2018, quando o último saiu da fábrica de Melfi, em Itália. Desde então, a Fiat não tem um sucessor direto.
Na Europa: faz falta?
Faz. O segmento B é dos que mais vendem na Europa, e o Clio, o Peugeot 208 e o Volkswagen Polo estão sempre no topo. A Fiat tem hoje o Grande Panda, com visual de crossover, mas não tem um hatch “puro” para enfrentar diretamente estes rivais. Um Punto moderno podia usar a mesma base técnica do Grande Panda e da família Stellantis, com versões híbridas e elétricas.
No Brasil: o lugar já é do Argo
No Brasil, o Punto teve fãs fiéis, com destaque para o Punto T-Jet, e foi vendido entre 2007 e 2017. Mas o espaço do hatch compacto da Fiat hoje é do Argo, fabricado em Betim (MG). Por isso, um novo Punto faz mais sentido como projeto europeu do que como substituto no mercado brasileiro. O que pode pesar a favor é o nome: no Brasil, Punto ainda é sinônimo de carro bonito e bom de dirigir.
Dica do Freire
Fica ou passa? Fica. A Fiat tem razão quando diz que precisa de um compacto forte no segmento B europeu, e o nome Punto vale ouro. Mas a condição é a que o próprio Belloni pôs: nada de nostalgia de catálogo. Até haver anúncio oficial, trate tudo o que circula, sobretudo as imagens, como especulação. E você: o Punto deve voltar? Conte nos comentários.
Atitude fala mais alto. — Freire Neto | Motores e Ação desde 2002




